terça-feira, 5 de março de 2013

Que são Ecodélicos ??

Extraído do Site : Plantando Consciência

Ecodélico é aquilo que nos permite receber a mensagem do todo, ou  manifestar a mente de Gaia.  O termo se refere a uma categoria de substâncias psicoativas capazes de nos permitir iniciar num processo de transcendência do ego, estado no qual nos percebemos como parte de uma complexa teia de relacionamentos que inclui não apenas cada um de nós, mas todas as outras espécies neste planeta e, em última instância, o cosmos.
As tradições espirituais ancestrais tem nos dito que o caminho para esta unidade cósmica se dá através de um profundo mergulho interior. Mas, para a mente racional e científica, esta sempre foi uma proposição difícil de se legitimar, pois não possuímos instrumentos que nos possibilitem examinar de forma criteriosa o conteúdo deste mergulho interior (que é o suposto universo transcendente ou extra-dimensional).
Os ecodélicos são estes instrumentos. Stanislav Grof, psiquiatra e uma das maiores autoridades científicas em estados não-ordinários de consciência, já dizia que não parece inapropriado ou exagerado comparar o potencial significativo destas substâncias para a psicologia e psiquiatria com aquele do microscópio para a medicina e do telescópio para a astronomia1.
O que são estas substâncias? Remédios, drogas, alimentos sacramentais? É mais fácil dizer o que elas não são. Elas não são narcóticos, nem intoxicantes, energéticos, anestésicos ou tranquilizantes. Elas são, mais propriamente, chaves bioquímicas que destrancam experiências arrasadoramente novas para a maioria dos Ocidentais. – Timothy Leary, Ph.D.—Richard Alpert, Ph.D. Harvard University, January, 19622

Em termos científicos, os ecodélicos são moléculas que exercem ação química no cérebro e no sistema nervoso. Para entendermos melhor suas propriedades, é importante conhecermos as substâncias psicoativas como um todo. Para tanto, vamos emprestar um modelo simples criado pelo Dr. Alexander Shulgin que divide as drogas psicoativas em três categorias principais: estimulantes, depressores e psicodélicos3.
Os estimulantes, em doses moderadas, causam a ampliação de funções psicobiológicas, como a atenção, vigília e a atividade motora (que intensificam a produtividade), mas também a ansiedade. Os mais conhecidos são a cafeína, cocaína, anfetamina, ritalina e nicotina.
Os depressores exercem o efeito oposto: diminuem a velocidade e intensidade de nossas respostas psicobiológicas. Podemos identificar três categorias distintas de depressores: os ansiolíticos (usados para reduzir ansiedade), anestésicos (que produzem um estado inerte) e os hipnóticos (indutores de sono). Alguns exemplos incluem opiáceos, antidepressivos e o álcool.



Agora, se as duas primeiras categorias produzem aumento ou diminuição dos processos mentais, os psicodélicos parecem modificar a própria qualidade da consciência, afetando aqueles aspectos pelos quais nos identificamos como sendo inerentemente humanos. Esta natureza extraordinária os coloca em uma posição única na família dos psicoativos. A dificuldade em se descrever consistentemente os efeitos dos psicodélicos fez destas substâncias um enorme e fascinante mistério. Este termo derivado do grego e do latim foi cunhado nos anos 50 pelo psiquiatra britânico Humphry Osmond em uma carta poema ao escritor Aldous Huxley, e significa o que “manifesta a mente”. Outro termo popular, usado de forma negativa, é alucinógeno, que significa o que “gera alucinações”. Ao longo da história muitos outros nomes foram inventados, cada qual sugerindo um significado particular que reflete a mentalidade de sua época e os valores dos seus mentores. Nomes dos mais insólitos como fantasticantes (que evocam fantasias), esquizogênicos (geradores de esquizofrenia), psicodislépticos (distorcedores da mente) e misticomiméticos (emuladores de experiências místicas) já foram usados no meio científico. Enteógenos é uma definição mais popular nos círculos místicos, cuja tradução pode ser lida como o que  “desperta o divino interior”. De qualquer forma, todas as definições tem seus poréns. Alucinógeno é o termo preferido no âmbito médico-legal, mas vem carregado de preconceito, pois sugere que os efeitos destas substâncias não são legítimos ou representativos porque seriam apenas projeções mentais incoerentes e sem contrapartida no mundo real. Já o termo psicodélico é tão popular que já virou um adjetivo (como em “pintura psicodélica” ou “música psicodélica”), mas sua definição original evoca memórias e reações de um contexto político e social específico que teve origem nos agitados anos 60, seguido de décadas repressão baseadas também no preconceito e na falta de informação (veja mais em “breve história dos ecodélicos”). Outro termo popular, enteógeno, implica uma religiosidade que não é reconhecida por todos, como geralmente acontece na comunidade científica global. Assim, somos entusiastas do termo ecodélico4. Não apenas por ser um termo recente e ainda livre de preconceito, mas porque incorpora um conhecimento mais amplo sobre estas substâncias. Se entendermos que elas manifestam algo que transcende os processos físicos e químicos do funcionamento cérebral, podemos descobrir outras implicações para seu uso nestes tempos de mudanças.  

1 - Grof, Stanislav. Realms of the Human Unconscious: Observations from LSD Research. Souvenir Press, 1996.
2 - Watts, Alan W. The Joyous Cosmology: Adventures in the Chemistry of Consciousness. Vintage, 1965.
3 - Strassman, Rick; Wojtowicz, Slawek; Luna, Luis Eduardo; Frecska, Ede. Inner Paths to Outer Space: Journeys to Alien Worlds through Psychedelics and Other Spiritual Technologies. Park Street Press, 2008.
4 – Doyle, Richard M. Darwin's Pharmacy: Sex, Plants, and the Evolution of the Noösphere. University of Washington Press, 2011.